domingo, 23 de dezembro de 2007

FINAL DE ANO,ECAAAA!!!!!



Acho que ao contrário da maioria das pessoas tenho aversão ao Natal e às festas de final de ano. Se me perguntarem qual minha noite de Natal ideal, eu respondo: em casa, sozinha, com um pote enorme de pipocas e uma pilha de DVD's pra assistir. Sem telefonemas e sem desejos de Feliz Natal.


E o reveillón ideal? Também respondo: na praia mais deserta possível... em única e boa companhia ou sozinha. Natureza, descanso, descompromissos, falta de horários, dormir mais que o necessário, ler muito e praticar yoga na beira-mar. Pronto! Esse é meu ideal de perfeição...




Ando tão cansada de correr... E o pior, correr nem sei atrás do quê!!! Nãooooo, eu quero paz!! Paz total... Essa semana aconteceu um episódio engraçado que acabou na quebra do meu celular. Nunca pensei que ficaria tão feliz em estar sem celular!! Ninguém me acha, e tenho verdadeiro prazer nisso. Ultimamente nos tornamos totalmente dependentes de certos objetos que chega a ser doentio: celulares, mp3, computadores, internet (ok, confesso que sou uma dependente, mas já que trabalho em frente a um pc não me resta outra alternativa. Apenas tento usar o lado bom da web), relógios, e sei lá mais o quê! Se quebra ou falha o desespero é grande até termos tudo em ordem de novo. Já pararam pra pensar que há alguns anos atrás vivíamos sem nada disso? E sobrevivíamos, felizes e certamente mais descomplicados. É, o tal lado ruim da tecnologia...




Enfim... Acho que meu negócio é mesmo solidão. Aliás, não sei quem foi que disse que solidão é algo ruim. Ela é nossa melhor amiga... a minha ao menos. Sozinha fico tão plena, tão feliz, sou mais eu. Ando cansada dos seres humanos (acho que uma melhor definição seria "desumanos"), dos lugares lotados, do consumismo que nos possui, das cabeças vazias, das fofocas, dos comentários, de TUDO!!


A minha proposta é sempre ME DEIXE VIVER A MINHA VIDA EM PAZ... Eu não me intrometo na sua, então não se intrometa na minha.


Nunca vou esquecer uma frase que ficou marcada... lá por 1998, numa visita à Faculdade de Veterinária da UFRGS, dizia o seguinte logo na entrada: "QUANDO CONHECI DE PERTO OS SERES HUMANOS, ESCOLHI VIVER ENTRE OS ANIMAIS"... Não lembro o autor, mas fiquei fascinada com o pensamento daquele homem, exatamente igual ao meu!!!


Quem sabe em 2008 não me mudo para o Nepal (sonho antigo) e sumo de vez desse mundinho globalizado-cruel-capitalista-e sem-graça????

Ahhhh que saudades de Imbituba!!!!!!!!!!

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

VIM DA TERRA DO NUNCA...

Sim, eu brinco em pracinhas... amanheço conversando entre amigos, sou risada quando não posso, meu tom de voz é muito alto, sou hiper ativa, pulo e grito o tempo inteiro, falo que amo quem eu amo, faço beiço quando tô de mau humor, mudo de idéia do dia pra noite, sou movida a emoções, sou insuportável quando acordo, tiro a concentração de todo mundo porque não calo a boca, e sou uma eterna moleca... Dizem que não tive infância! Tive sim, e foi tão boa que quero lembrá-la a todo momento. Nasci na Terra do Nunca, onde as crianças nunca crescem... Não é à toa que sempre me chamaram de Sininho, aquela fada chatinha e pequena que não pára quieta. Que pena se isso te incomoda!!!




PROFUSÃO DO NADA

O orkut certamente vem mudando cabeças, e muitas! Em nossa terra não tão garrida como diz nosso hino. Como uma criança, que em posse da caixinha de jóias da mãe, veste tudo de uma só vez, tornando-se uma caricatura mal feita de uma ex-dama, agora esclerosada, da sociedade, é o Brasil em relação à esse tal d'orkut.

Num país de cultura midiática, onde todos buscam, à qualquer custo e susto, seus 15 milésimos de segundo de aparição em qualquer meio de comunicação, seja estampando a primeira capa do jornaleco de trem segurando uma AR-15 e trajando capuz combinando com uma bermuda preta, ambos rasgados, ou ainda ocupando 4 cm² numa página qualquer da Caras, após desfrutar de seu fim de semana ilhado por futilidades e acumulando brindes pra toda a família e vizinhança, ou ainda (sim, mais um ainda) dando um tchauzinho afetado por trás de algum repórter global ou não (a câmera é o que importa) que apenas está tentando noticiar mais mortes em algum canto do país, criar um perfil n'orkut é como ser o editor, entrevistador, fotógrafo, entrevistado e modelo de uma mídia que noticia apenas sobre sua vida.

É como um certo poder de exibição, mesmo que esse poder seja o de manipular o próprio reflexo e mostrar-se o mais próximo possível dos seus desejos, contrariando qualquer frustração; em suma, é poder ter um público que o vê apenas como vc quer que o vejam. É como querer o Sol e receber asas para voar até lá. É oposto aos desejos de quem tem a fama. Famosos vivem correndo de paparazzis, anônimos tornam-se seus próprios paparazzis.

Não é à toa que algumas "celebridades" criam blogs para divulgar seus pareceres das fofocas, ou ainda preferem eles mesmos vender fotos de suas festas ou intimidades para que assim tenham um mínimo de controle sobre as gafes da falta de calcinha, ou assanhamentos de mamilos.

O fato é que também sou usuária d'orkut, também me pego por vezes desejando o horário nobre, mas hoje venho percebendo e questionando as superexposições e supermassificações desses perfis quase falantes.

No início desse misterioso, poderoso e perigoso orkut, conhecíamos uma pessoa pela sua auto-descrição, e num ato investigativo, procurávamos desvendar mais sobre ela fuxicando comunidades, que mais ou menos norteavam seus gostos e atitudes. Num terceiro ato, mais psicopata, alguns (já fiz isso também!) ainda desfrutavam dos recados alheios como se desfruta de uma novela, seriado ou romance com cara de best-seller. Porém para investigar comunidades, alguém deveria antes de tudo, criá-las.

E assim, friso que ainda no início, nos descobríamos pessoas comuns, ao encontrar comunidades superpovoadas sobre manias estranhas, gostos incomuns... Até que criar comunidades virou mania! A falta de critérios para tal estava instalada e em pouco tempo o orkut virava um grande livro de piadas, com chacotas de todas as estirpes e comunidades/desabafo pra cima e para baixo. Antigamente sofríamos por não nos adequar a determinado grupo na escola, chorávamos, tentávamos nossos pais à comprar o estojo da moda, a mochila moderna ou a caneta-faz-quase-tudo, que para escrever mesmo, não servia.

Hoje em dia os grupinhos são comunidades, a aceitação pode ser imediata, e se não for, migramos num clique pra outro grupo similar com aceitação instantânea. E assim o orkut, antes povoado de indivíduos tentando mostrar o melhor de si, a melhor face da sua individualidade, se tornou um grande mar cinzento, com todas as cores bem desaturadas e pessoas descriteriosas que veneram do Tiririca à Chopin, passando por comunidades "Eu espirro alto!", à outras mais estapafúrdias como "Eu já comi c*c*!"

O que antes agregava por afinidades, hoje agrega por superficialidades, à ponto do sujeito ter de consultar sua infinita lista de comunas para saber se gosta da Britney Careca ou Cabeluda, ou ainda se prefere macarrão com queijo, ou queijo com macarrão, e se usa três ou seis cotonetes, se acha nojento palito de dentes, ou se é palito chupado de picolé.

Se dizem que a TV pensa pela gente, eu digo que deixamos de pensar na gente enquanto indivíduos, para nos sabermos enquanto membros ilustres d'orkut, ultra-populares e com um sem-fim de visitas virtuais. Vale quem tem mais comunidades, mesmo que nunca as tenha visitado senão para ser aceito.

Se eu gosto de chupar caroço de azeitona, porquê o mundo deve saber disso?

Onde está o segredo dos relacionamentos?

Pra quê casar, se o mundo sabe que vc ronca 5 vezes por noite, a cada 49 minutos de sono?

Se o peixe morre pela boca, o brasileiro morre pelo ego! Prefiro nem ver seu perfil, à dispensar duas semanas de conversas e descobertas, num incabível clique. E a piada é triste, em seu âmago, mas cabe e diverte, pelo menos a mim!

Ele não te ama, porque ainda não viu seu orkut! Desculpa o desabafo, mas não vou sair por aí criando comunidades que arrecadam esmola para cada mendigo que eu vir na rua! E também não vou cumprir o meu dever de cidadão, porque me revoltei com a política externa e resolvi participar da comunidade anti-governo Lula.

A questão é, quer fazer, faça de verdade, não crie comunidades. Já fez, ou está fazendo e quer agregar mais bem-feitores, divulgue sua atitude numa comunidade, ligue pras pessoas, distribua folhetos na rua, ou ainda sem poluir a cidade, apenas saia às ruas contando pras esquinas o que tem feito de bom, ou, ainda mais simples, envie um e-mail aos seus conhecidos, que o orkut não é classificados, mas é sim um reflexo de si e um canal de comunicação, como um telefone ou uma secretária eletrônica, com outras pessoas . Que não necessariamente precisam saber quantas vezes você vai ao banheiro num dia.

O orkut é como uma lente fotográfica, você decide a velocidade do obturador e a abertura do diafragma. Mas não pode controlar o tipo e a quantidade de pessoas que verá as suas fotos. É como a evolução da sexualidade feminina, antigamente mostrar o tornozelo era sexy e ousado, e despertava muitas fantasias e paixões. Hoje nem foto explícita faz o mesmo.

Não caia na mesmice, nem torne-se mais um desinteressante. Não se acomode nos discursos para um incontrolável público, que pode variar de 5 a 25.000 sem você sequer ter noção desse alcance! Um dia você acaba acreditando nas suas mentiras e perdendo-se de si mesmo. Uma tarde e alguns goles de café, ainda são mais prazerosos que a troca de alguns scraps bem escritos! Ao vivo ainda é melhor que gravado, teatro ainda é melhor que TV e cinema, o mundo real pode não parecer, mais ainda é mais surpreendente e interessante q'orkut, ou qualquer outra coisa que possa ser encontrada no google. Tecle menos, converse mais! Toque mais e clique menos. Chega de ampliar fotos, abra mais o olho.

Desculpe (mesmo!!!) o desabafo, mas eu mesmo estava precisando ouvir, ou ler isso! Enfim, nunca me disse santa, nem anti-internauta! Mas a vida exige mais que conhecimentos de windows e contas de e-mails! Sorrir diante de uma tela, é tão patético quanto tomar um banho para melhorar o ânimo! Nos apegamos a necessidades desnecessárias! A simplicidade de Pequena Miss Sunshine, desbancou superproduções hollywoodianas.

Podemos ser um filme B latino, de baixo custo e lindas imagens, lindo roteiro e belo final!

Não precisamos ser uma trama global, nem tampouco uma novela da record ou um recordista hollywoodiano. Precisamos ser nós mesmos, e entender que somos únicos, repletos de multiplicidades. Não oferte seu msn, convide-me pra um passeio. Tudo parece lindo e verdadeiro, mas lá no fundo quando sinto necessidade de ser alguém além de pensamentos, escrevo aqui! Quando canso de me ouvir e preciso dividir, é a este blog que recorro, mas não só!Recorro também a infindos telefonemas aos amigos, e até que a orelha esquente, não digito um caractere sequer. E assim vou vivendo em meio a devaneios e coisas que não sei pq falo, mas sinto que preciso falar! Simples assim!

UHHHH, QUANTO TEMPO....




Puxa... até eu me surpreendi... BLOG ENTREGUE ÀS BARATAS... quem me visitava deve ter cansado de não ver mais nada por aqui...
Acontece! Quando iniciei este blog (acho que o terceiro) afirmei, "este vai!". Mas aquela coisa do dia-a-dia... Trabalho, casa, dança, visitas, conversas com amigos, e claro, namoro, que ninguém é de ferro... ;)
Enfim... acho que andei vivendo mais no real que no virtual! Além de andar pouco inspirada também... escrevo tanto para o jornal que quando chega a hora de escrever outras coisas, bate A preguiça!
Mas... VOLTEI!!!

Às vezes precisamos de um período de hibernação... recolhimento... pra decidir o que realmente queremos e fazer um balanço dos últimos tempos... separar o joio do trigo e então seguir em frente nos lugares onde realmente nos sentimos bem e com pessoas que nos fazem sentir bem.
Sabe aquele artista que existe nos circos e que tem como função ser "engolidor de facas"??? Pois eu era a própria "engolidora de sapos". Tendo que ser boazinha com quem não gostava de mim e tendo que agüentar pessoas e situações apenas por educação!
C-A-N-S-E-I!!!
Agora não importa o que pensem de mim... vou fazer o que quero e acho que é certo e só devo explicações pra quem eu acho que devo explicar. O resto é apenas o resto.
Minha super-hiper-ultra-mega-amiga-irmã gêmea Bárbara tem me ensinado (e mesmo sem querer!) a mostrar os dentes!!!
Não preciso ser grossa ou estúpida não.... apenas NA MINHA!!! Extremamente na minha. Não vou mais onde não me sinto bem, onde não me sinto bem recebida, onde não sinto reciprocidade...
Não recebo mais ninguém na minha casa por pura educação, pra que não fiquem chateados comigo.. Não vou mais "fazer sala" pra quem não é bem-vindo.
Estou me libertando das amarras que eu mesma havia me imposto... não esperem mais pela menina doce e meiga, sempre de braços abertos. Doce combina com doce, e não com azedo entendeu??? Portanto, minhas ações são o resultado das suas atitudes para comigo.
E tenho dito!!! Gostem ou não....

terça-feira, 23 de outubro de 2007

UM JEITO "CHAPLINIANO" DE SER...




Sim, ter na alma um Vagabonde! Denunciar tragédias sociais, pessoais, usando a comicidade e a leveza de quem ri de um louco roteiro. Ver e fazer graça com a própria sorte. Sacudir a poeira e seguir caminho. Retirar as camadas de proteção que ofuscam a luz. Manter a ternura no cenário embrutecido, em preto e branco, dos erros. Rir de todo o nonsense que o mundo reproduz. Transformar política em poesia, poesia em depoimento de vida, vida em arte, arte em riso. Correr atrás de amor e pão, metáfora alimentar básica da alma e do corpo. Não despregar da alma a criança eterna. Debochar do mundo desarrumado. Desarrumar o desarrumado. Uma estrada à frente e um vagabundo para percorrê-la, sem saber aonde leva o caminho, mas sabendo que, onde quer que leve, se há sempre de chegar em si mesmo. (“O importante é ir, não é chegar” - Charles Chaplin) Quero o jeito chapliniano de ser, de ver, sobreviver, "superviver" - sinfonia da "libertura", onde liberdade e ternura se unem para todo o sempre. Sorrir... Com consciência, sorrir do absurdo que tudo faz. Então terá valido a pena, não se deixar perder a inocência dentro de uma inútil consciência.

CHARLES CHAPLIN (16/04/1989 - 25/12/1977), Charles Chaplin, para mim, foi o grande gênio do século XX. O ícone do "doce vagabundo" não era apenas um jeito de fazer comédia e despertar ternura. Era todo o depoimento de um século, de uma sociedade. Era a ideologia personificada e disfarçada na despretensão de um Carlitos que mudou não apenas a história do cinema, mas o pensamento das humanidades. Atemporal, ele me inspira sempre a cada olhar que dirijo à vida. Transformar os acontecimentos, dolorosos ou não, em caricaturas torna tudo muito mais suave.

"Charles é o único artista que inventa em nosso século. Os demais, nós todos, imitamos". - Ezra Pound "Vagabundo sem pátria, sem família, sem amigos, sem ideais, aspira à única felicidade que lhe é possível: o abrigo para mais uma noite, um prato de comida, um mínimo de segurança pessoal e de espaço físico para sobreviver num universo imenso e palmilhado sem sucesso pelas suas botas cobertas de pó, cujas pontas indicam ao mesmo tempo dois rumos antagônicos e vazios." - Carlos Heitor Cony (o melhor biógrafo de Chaplin, na minha opinião)


"O iconoclasta surge sob o aspecto de um anjo decaído... Longe de ser um vagabundo apenas no sentido social da palavra, é também um desclassificado moral, psicológico e metafísico: é o vagabundo do mundo, e o seu destino supera as lendas... Em Carlitos a humanidade inteira se reconhece." - Jean Mitry


"The Tramp é o universo minimizado de toda a aventura humana - nos termos em que Chaplin compreende a aventura humana... chega pela estrada, aceita o emprego na fazenda, enamora-se da filha do patrão, ilude-se, salva o patrão e a fazenda de um malfeitor, espera a recompensa - que para Carlitos é sempre o pão e o amor - e surge um outro para ficar com o pão e o amor. Não desanima, porém. Sai em silêncio, sem se fazer notar, e some pela mesma estrada, coberto de pó. O passo é vacilante, ao início da fuga, mas aos poucos, sentindo a seus pés a estrada, o pó, identifica-se novamente com o próprio destino, com a própria estrada. Dá uma cambalhota e some. Como parábola, é tão perfeita em seus elementos técnicos quanto a parábola do Filho Pródigo ou a do Bom Pastor, Nada é demais, tudo é necessário." - Carlos Heitor Cony

CLICK!!!




Xiii! Roubei uma foto sua! Pardon! Adoro flagrantes. Poses não! Quero sua melhor imagem, não a mais arrumada. A melhor é a mais verdadeira. Quero gente com cara de gente! E gente com cara de gente tem luz própria! Pronto! Nem precisei de iluminação artificial :)
Olha só aí embaixo como sua imagem fica linda e transparente quando se distrai:



quinta-feira, 18 de outubro de 2007

OLHARES PENSATIVOS, TRANSPONDO OS LIMITES DO SONHO...


Penso, penso... divago!

Escrever a primeira linha resulta sempre mais difícil... Logo em seguida o texto flui, disperso como minha mente.

Mundinho difícil esse das palavras... Mesmo assim me torna bem mais fácil escrever que falar. Falo desarticuladamente, apressadamente, impulsivamente... não penso antes de falar, e todo mundo sabe o que acontece com quem é assim. Várias vezes já ouvi "mas você não soube se expressar"... e eu respondo "não soube, desculpa, não foi isso que quis dizer... não foi essa a impressão que quis passar". Ai, cansativos mal-entendidos.

Já aqui penso, penso, penso e reflito. Rodopio ao redor das palavras, mas expresso-me com muito mais clareza.

Sou limitada... Gosto da noite, das madrugadas tranqüilas para escrever. O silêncio dói mais e justamente por isso me torna produtiva. Mas o amo. E, debruçada sobre as horas do tempo, fecho os olhos e me deixo flutuar pelas suas janelas. Busco minhas pegadas, e estão todas lá, ainda impressas na areia tão fina quanto a de uma ampulheta, outra senhora do tempo. Tão relativo....

Vez em quando espio por uma dessas janelas, pulo para o outro lado e brinco nas trilhas do jardim. Será que tudo tem a ver com meu jeito intempestivo de ser?

Hoje resolvi parar de contar o tempo. Envelheci demais contando- o. Já nem sei mais que hora do dia é. Mas fico pensando no amanhã. Fico imaginando que surpresas ele trará quando amanhecer o dia...

Tenho lá minha alma irriquieta e andarilha. Em fase de "captação de recursos". Minha curiosidade é eterna, e talvez hoje ou até amanhã, seja o dia de colocar a mochila nas costas, fechar essas janelas do tempo, abrir a porta da rua e colocar o pé na estrada. Nossos olhos ficam tão presos em nós mesmos que deixamos de contemplar tantos horizontes... Momentos de reencontros, desencontros, despedidas... momento de mudar direções.

O tempo é aquele amigo, que cura feridas. Que intensifica marcas... Ele passa, mas está sempre ali, indo para algum lugar. E sempre encontrando um novo ponto de partida. É hora de tirar as pedras do caminho... juntar uma a uma, para um dia "construir o seu castelo".

Como já disse certa vez o grande Mário Lago... "fiz um acordo de coexistência pacífica com o tempo. Nem ele me persegue, nem eu fujo dele... um dia a gente se encontra".

Assino embaixo!!!

E que ele me seja tão generoso como foi com ele... Que eu não fique vendo a vida passar e acompanhe o desfile...

Porque apenas estou começando a "construir o meu castelo"!!!

LER, LER, LER....


"As palavras sempre ficam. Se me disseres que me amas, acreditarei. Mas se me escreveres que me amas, acreditarei ainda mais. Se me falares da tua saudade, entenderei. Mas se escreveres sobre ela, eu a sentirei junto contigo. Se a tristeza vier a te consumir e me contares, eu saberei. Mas se a descreveres no papel, o seu peso será menor. Lembre-se sempre do poder das palavras. Quem escreve constrói um castelo, e quem lê passa a habitá-lo..."


By Silvana Duboc

PAIXÃO V - LITERATURA




Ahhh, esses vagabundos literatos....

Esse orkut e seus meandros... Nunca vi uma comunidade (e olha que tenho várias, mais de 750 com as quais me identifico) que me descrevesse tão bem... Dá um olhada!
Se você é daqueles, que largariam, já largaram, ou adorariam largar, aquele ótimo emprego responsável capitalista, só para poder passar as manhãs dormindo e o resto do tempo todo se entretendo em livros... (não tenha a menor dúvida disso...); Se os ideais clássicos boêmios te encantam mais do que o futuro que seus pais te desejam, e você, mesmo depois de velho, ainda não tem muita certeza do que quer ser quando crescer, mas sabe que lendo você chega lá... (Ahhhhh eu chego!!!); Se você é daqueles que recitam frases de filósofos pré-socráticos e se identificam com as mesmas, inclusive dando exemplos em sua vida... (Sempre cara, sempre... acontece o tempo todo!); Se te encantaria conhecer a Muralha da China, e você pensa que lá poderia ser um bom lugar para sentar e ler sobre a história de Gengis Khan... (Ô!!! Mas q dúvida...); Se você não resiste ao jazz de fim de tarde, tocado em seu café biblioteca favorito... (Gente, pena que aqui não tem o meu “café biblioteca favorito”.... mas que não resisto a um bom jazz de fim de tarde e muito menos a um blues, é certooo!!); Enfim, se você é uma pessoa responsável no trabalho, mas gosta mesmo é de filosofar e trocar idéias, ao som de MPB, numa mesa de plástico em um bar qualquer... (Filosofia de boteco é tudo!! Quem é nunca saiu de casa completamente sem energia e voltou totalmente energizado só pelo fato de estar trocando idéias com amigos inteligentes e interessantes, que têm a visão de mundo parecida com a sua??? É tudo!)
Então o seu lugar é aqui! (Onde?? Onde??? Me avisa que eu vou correndo!!!)

Então... Escrever é realmente a minha terapia. Sempre foi... Escrevi meu primeiro livro quando tinha 12 anos. Hoje, leio e acho ridículo, tipo “confissões de adolescente”, saca??
De lá pra cá, já foram 3, o último que eu adoro mas... Nunca fui atrás de editora e talz pra publicar. Lembro do meu professor de Fundamentos de Editoração me dando força pra procurar o Clube Gaúcho do Livro, mas nunca fui. Na época tava envolvida com cinema e fotografia. Enfim... O que sei é que publicando um livro um não, jamais vou largar esse vício. É bom demaiiiiss, lavo a minh’alma escrevendo!!!
Mas curto escrever minhas divagações, meus livres pensamentos, meus devaneios agudos. Não o que me pedem, e sim o que me sinto.
Podem crer que por aqui vou escrever muitooo! E, se o destino quiser mesmo, ainda viro uma escritora. Não tenho intenção de ser nenhuma imortal, e menos ainda um “nobel”.... Escritora sim... Mas pro meu próprio consumo já me basta!!!


P.S.: Na foto homenagem ao meu amigão do peito Rosp (Rodrigo Spinelli), que é um dos autores desse livro aí... interessantíssimo, uma proposta diferenciada, "Ficção de Polpa"... recomendo!!! E que sonha esse sonho junto comigo... Jovem talento que ainda vai muito longe!!!

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

EU E TODAS AS MINHAS EUS...


Às vezes, eu me transformo em outras... Depende do dia, da noite, do vento...
Quando clara, pinto o teto de azul pra parecer que as nuvens são apenas brinquedos de algodão flutuando no céu... E pinto o sol, pra iluminar os caminhos que resolvo descobrir.
Tem outros dias, em que corro de mim mesma, olho pro espelho e finjo que não vejo; em outros olho tanto para ele que é em mim mesma que encontro a solução.
De vez em quando rezo, sempre agradeço, vez por outra peço, mas nunca perco a FÉ!!!
Às vezes preciso convencer por profissão, amar por condição, e entender por compulsão...
Preciso ler mais para aprender os olhos oblíquos de Capitu.
Pra que o meu palavreado fique maior, bem maior do que eu, quase do tamanho de Neruda.
Meu tom é literário, e minha vontade é literal. Quem não gosta de mim, que não faça sala.
Já fiz até terapia, mas gosto mesmo é de salto dez e calça justa.
O meu clube é seleto até demais, e cheio de letras e cartazes na parede. Lá, há os que apenas cantam, mas há também aqueles que tanto me encantam.
Eu não tenho graça, mas rio de bobagem, moça do riso fácil e da risada aberta...
Eu vejo e ouço pra me alimentar, e depois fico em silêncio pra me digerir. Silêncio?? Quando minha mente permite. Lá dentro, tudo tão rápido, tudo tão louco, tudo tão fugaz.
Eu boto a roupa pra depois poder tirar, pinto o olhos pra depois poder borrar; e danço pra me fazer feliz; fico na ponta dos pés, me estico até virar elástica...
Eu sofro pra perdoar... Mas depois dou risada, danço de novo, e pulo pra descontrair.
Eu canto pra me escutar e SONHO pra não desistir.
Eu canso pra me encontrar, mas não descanso enquanto não conseguir.
O céu? Não, ele não é o limite. Não o meu...
A cena ideal, será que existe???
São Paulo faz de mim uma irmã coragem, Porto Alegre faz de mim uma adolescente, Floripa faz de mim uma aprendiz de surfista natureba, pensativa e filosófica.
Livramento faz o quê de mim? Não faz...
E independente da outra que eu for hoje ou amanhã... Eu quero PAZ!!!
Até ontem ainda dizia “não encontrei meu lugar no mundo”... Encontrei sim! Nos palcos da vida, sou NÔMADE!!!
Tudo e mais um pouco, todos e muitos mais, ainda é pouco pra minha CURIOSIDADE!!
Ei... Um whisky duplo, por favor???