sexta-feira, 7 de setembro de 2007

PAIXÃO II - TEATRO




Teatro: talvez a mais antiga, a que me lembro primeiro despertar em mim. "O que você vai ser quando crescer? ATRIZ!!!", respondia a pequena Fada Sininho, como era chamada pelos amiguinhos.


Anos vão, anos vem, e de repente, em um dia despretensioso qualquer, de muita labuta, escuto ao fundo da redação do jornal onde trabalho: OFICINA DE TEATRO!!!


O quê??? Em Livramento??? Precisava saber daquilo urgente. Fui falar com o entrevistado da minha colega, o grande professor, ator e diretor de teatro J. N. Canabarro. Fiquei sabendo os detalhes, e esperei a inscrição. Vibrei no dia que recebi o telefonema: "o curso vai começar!". Vibrei mais ainda no dia em que, contrariando um ciuminho bobo e passageiro do meu namorado, saí de casa às 18h e me dirigi à Sala Cultural para a primeira aula.


Lá se vão várias delas, e um grupo harmônico vem desenvolvendo uma bela caminhada. Se depender da vontade de todos, vai tudo acabar em TEATRO.


Aplausos para o professor, que, magistralmente nos enche de vida com suas curiosas histórias sobre a vida nessa magia que é o teatro. Que aos poucos vai nos mostrando a verdadeira arte de interpretar, de ser outra pessoa, encarnar um personagem e esquecer nossa própria identidade.


Adoro os exercícios. Adoro perceber que, quando estou em um palco esqueço a timidez, esqueço que me observam, esqueço quem eu sou. Antes, o nervosismo bate sim, mas na hora tudo some. O que é isso? Só pode ser PAIXÃO. Aquela mesma que sempre me moveu em direção à coisas e pessoas vida afora. Uma paixão visceral, gratificante, e sem a qual nada teria sentido!


Sejamos uma companhia teatral... coloquemos nossos sonhos TODOS na arte da interpretação. Quem somos? Quem quisermos ser!!!
"O público vai ao teatro por causa dos atores. O autor de teatro é bom na medida em que escreve peças que dão margem a grandes interpretações dos atores. Mas, o ator tem que se conscientizar de que é um cristo da humanidade e que seu talento é muito mais uma condenação do que uma dádiva. O ator tem que saber que, para ser um ator de verdade, vai ter que fazer mil e uma renúncias, mil e um sacrifícios. É preciso que o ator tenha muita coragem, muita humildade, e sobretudo um transbordamento de amor fraterno para abdicar da própria personalidade em favor da personalidade de seus personagens, com a única finalidade de fazer a sociedade entender que o ser humano não tem instintos e sensibilidade padronizados, como os hipócritas com seus códigos de ética pretendem." Plínio Marcos