
Eu e esse filme temos um sério caso de amor... Lembro da tarde em que loquei, despretensiosamente! Já havia ouvido falar que era um filme belíssimo, mas não podia imaginar o QUANTO!!!
Chorei a tarde inteira quando assisti. Bom, preciso explicar que tenho uma paixão enrustida pelas décadas de 40 e 50. Não sei porquê, mas devo ter nascido na década errada. Queria muito ter vivido naquele tempo, onde tudo parecia mais... intenso! Inclusive os amores... Jaqueta de couro, vestidos rodados, carrões envenenados e rock'n'roll... corações despedaçados, lanchonetes badaladas, bailes glamourosos, penteados irados... Lamento profundamente não ter vivido nos "Anos Dourados".
Enfim, o filme é perfeito: "Diário de Uma Paixão" me despertou imensa curiosidade desde que passei a acompanhar sua trajetória de sucesso no mercado americano. O filme - dirigido por Nick Cassavetes (filho de John Cassavetes) obteve um espetacular lucro nos cinemas dos Estados Unidos em pleno verão do hemisfério-norte (época em que as salas costumam reservar seus espaços para blockbusters que estejam na crista da onda e sob os holofotes da mídia). A campanha de marketing também foi interessante. Gena Rowlands (mãe do diretor) e o já veterano James Garner – estrelas reais da fita – sequer tiveram seus nomes mencionados na apresentação da produção ao grande público. O elenco jovem - não muito conhecido e cujas escolhas chegam a ser enigmáticas – conta com a presença de Rachel McAdams , Ryan Gosling e James Marsden. Ou seja, nenhum astro dotado de poderes especiais capazes de levar meninas e meninos em bando aos cinemas. Mesmo assim, "Diário de Uma Paixão" foi sucesso. É provável que o livro no qual o filme se baseia, tenha contribuído para a excelente carreira da produção. O romance, assinado por Nicholas Spark, já havia sido best-seller e de certa forma pode ter se tornado um atrativo a mais para os espectadores. É possível também (suposição particular) que o “tom de novela mexicana” (maneira como a fita é vendida) tenha atraído ainda mais a atenção dos espectadores – que em sua grande maioria adora um drama lacrimoso – embora muitos infelizmente, neguem tal fato com veemência.
A história é simples: durante as férias de verão de sua família sulista na idílica cidade litorânea de Seabrook, Carolina do Norte, Allie Hamilton (Rachel McAdams) chama a atenção do garoto de classe operária local Noah Calhoun (Ryan Gosling), e ele a convida para sair. Os dois se dão muito bem, apesar da desaprovação explícita dos pais de Allie (Joan Allen e David Thornton), que contribuem para pôr fim ao namoro – algo que acontece também em função do início da 2a Guerra Mundial e diversas outras circunstâncias. Esses acontecimentos todos, assim como o resto da história de Allie e Noah, são relatados por Duke (James Garner), que lê um caderno para uma mulher que tem o mal de Alzheimer (Gena Rowlands) nas visitas regulares que faz a ela num lar para idosos doentes. "Diário de Uma Paixão" é um filme para chorar – e isso não é surpresa para aqueles que já assistiram "Um Amor Para Recordar", obra literária do mesmo autor. No entanto, há algo de mais interessante na fita (ou melhor, no diretor). Nick Cassavetes conduz seu trabalho com extrema competência e (o mais curioso) sem se preocupar em ser caricato (como por exemplo, na composição física do pai de Allie, que embora chame a atenção, em nenhum momento nos causa qualquer incomodo). Em diversos momentos conseguimos captar um certo saudosismo em sua narrativa e composição de fatos, além de outros personagens. Cassavetes não chega a ser sutil como Douglas Sirk (especialmente em relação a fotografia) mas por diversas vezes aproxima-se de tal façanha (como na cena da chuva). Há muita poesia e sentimentalismo (longe de serem baratos) que conseguem atingir em cheio o espectador, lhe provocando as mais diversas reações. Gena Rowlands e James Garner são as peças chaves para o saldo positivo do filme. Ambos traduzem em essência a cumplicidade, inocência e o verdadeiro amor na terceira idade (atributos capazes de superar as barreiras de doenças degenerativas do final da vida). O mais bacana é que quanto mais lembramos do que assistimos mais gostamos do que nos foi apresentado. E hoje em dia poucos são os filmes capazes de nos ficar por tanto tempo na memória. Portanto, não se faça de durão e renda-se a "Diário de Uma Paixão", produção que poderia muito bem ser patrocinada por uma fábrica de lenços de papel e que é responsável por criar o maior numero de pessoas chorando por metro quadrado num mesmo cinema.
Dica: Quando você locar o filme, não deixe de assistir os extras, onde conta um pouco da história do escritor Nicholas Sparks. Vale mesmo a pena...
(Dados curiosos: os atores principais do filme, Rachel McAdams e Ryan Gosling, começaram a namorar durante as filmagens (2004) e estão juntos até agora... e Gena Rowlands, a Allie quando velhinha, é mãe do diretor, Nick Cassavetes).
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